sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Slightly disappointing


Estacionamento da FIERGS.

ESTACIONAMENTO.

Eu devia ter desconfiado.

Há exatos dez anos, o show de Eric Clapton em Porto Alegre inaugurou, com estilo, a lista de grandes shows da minha vida. Claro, muita coisa mudou desde lá. O autoproclamado mundo ocidental recém começava a sua Guerra ao Terror, o PT ainda era oposição, e o Grêmio era o time hegemônico no RS. Mudou também Eric Clapton; à época um cinqüentão, o homem que visitou Porto Alegre ontem, lembremos, já é um idoso. É, slowhand já tem 66 anos.

Mesmo assim, por tudo que representou na música, pela qualidade das suas apresentações, e principalmente pelo que – sejamos justos – ainda toca, estava plenamente justificada a expectativa pelo seu show. O público, contudo, não saiu completamente satisfeito, principalmente por quatro razões:

1) O preço: R$ 180 pelo ingresso mais barato autoriza o público a exigir, mesmo em um show internacional, um produto de qualidade.

2) O lugar: O estacionamento da FIERGS é um estacionamento, não uma casa de shows. "Gigantinho, Beira-Rio e Olímpico também não são", poderiam argumentar. De fato, até o Pepsi on Stage sofre com problemas de acústica. Mas todos esses lugares são INFINITAMENTE superiores, em estrutura e acústica, a um estacionamento. Logística também foi um problema. Para quem não sabe, a FIERGS fica mais ou menos perto de Passo Fundo. Não foram poucos os que após o show saíram vagando na Assis Brasil à procura de um táxi (o que Porto Alegre decididamente tem em número insuficiente).

3) O repertório: Das três primeiras músicas, Hoochie Coochie Man (que não é exatamente um hit) era a mais conhecida. Faltou mesclar sucessos no início do show para chamar o público. Outro problema reside em uma declaração dada por Clapton há alguns anos atrás: "sou, fui e sempre serei um guitarrista de Blues". Por mais bonita que ela seja, nesta frase está contida uma certa negação ao seu passado com o Cream, o power fucking trio inglês que compunha com os fabulosos Ginger Baker e Jack Bruce, no qual definitivamente viveu o seu melhor momento. E, para levantar o público desanimado, os maiores sucessos do Cream (notadamente, White Room, Strange Brew e Sunshine of Your Love) seriam perfeitos. Fica a impressão que Clapton fez um repertório para tocar em um pub.

4) O volume: Parte culpa de Clapton, parte de seus engenheiros de som. Faltou volume, e Rock é volume. A banda, aliás, para esse tipo de show, não era das maiores. As guitarras ficaram a cargo apenas de Clapton. Alguém dirá "E precisa mais?". Precisa. Para um show dessa envergadura, músicos de apoio são mais do que necessários. Faltou um outro guitarrista para dar o peso que faltou ao som da banda. Para quem assistiu ao show da pista, a experiência equivaleu a assistir a um DVD com som baixo e cerveja cara. Lembrando: Os Stones, exemplo máximo de longevidade no Rock'n'Roll, mesmo tendo nas guitarras ninguém menos que Keith Richards e o outro aquele, leva em seus shows um outro carinha que fica com um violão, lá no fundo, fazendo uma base e preenchendo o som.

Não foi, de forma alguma, um show ruim. Clapton é Clapton. A cada palhetada é possível perceber como ele influenciou e influencia guitarristas até hoje. Em Crossroads, música do bis, fica claro como Clapton foi importante, por exemplo, para John Mayer, que também gravou a música. Principalmente na maneira de solar.

Eric Clapton vem da melhor escola de Rock do mundo, a inglesa. Apesar daquele BAITA álbum acústico, e a despeito de suas influências, talvez falte a Clapton admitir que ele não é um negro americano dos anos 1930.

domingo, 8 de novembro de 2009

Do Anti-Clímax


Nada pior do que aquele cara que tira toda a emoção da tua narrativa com o anti-clímax. Lá está o sujeito, animado, contando sua história para um público relativamente disposto a ouvi-lo, quando surge o elemento castrante

Anti-clímax é aquele recurso utilizado ad nauseum na literatura, no cinema, no teatro, nas conversas de bar e em outras tantas formas de arte, em que o desfecho é dramaticamente diferente – ou o oposto – do esperado. Então temos em um romance de ficção, por exemplo, o protagonista descobrindo no último capítulo que o seu malfeitor era, o tempo inteiro, o fiel mordomo. No cinema, com certeza o melhor exemplo de anti-clímax está na frase "Luke, I'm your father". E por aí vai.

Na vida real, a coisa não é tão glamourosa. O anti-clímax, para os desprovidos da fama, se limita a uma quebra de expectativa cretina.

Exemplo 1:

No Shopping:
– Cara, mas que absurdo... Sabe quanto eu paguei nesses tênis?
– Quanto, R$ 500??
- Ahm, não, R$ 190...

Exemplo 2:

Para desespero do filho, o aniversariante do dia, o pai piadista abre o repertório antes de servirem o bolo, mas é interrompido pelo tio bêbado que arranca risos de todos:
- E aí, pessoal, o que é que pula, chora, engatinha e dança salsa?
- É o Hugo Chavez!!
- Hã?! Não, é o... ah, deixa pra lá.

Exemplo 3 (o último):

Mulher espetacular atravessa a rua, rente a dois rapazes na entrada da faculdade de Ciências da Computação. Com uma expressão de triunfo, o mais baixo e espinhento se pronuncia:
– Cara, tá vendo aquela ali?
– Tô! Mas o que.. Bruninho! Pô, não brinca comigo, Bruninho... Não vai me dizer que comeu?!!
– Aahm, não, mas ela me deu "oi" ontem.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Leitores de Playboy afirmam: "Tá com tudo em cima, mas podia ser mais Young"


Vem tendo ampla repercussão o ensaio da revista Playboy do mês de novembro com a escritora, apresentadora, roteirista, dramaturga, atriz, mãe e esposa-modelo Fernanda Young.

Apesar de estar acostumado a adolescentes turbinadas e com baixa auto-estima, o público-leitor da mais popular revista masculina do país se mostrou receptivo. "Nada que um Photoshop não faça, né?", disse um senhor que comprava um exemplar. É consenso que o Photoshop deve mesmo ser utilizado para deixar Young mais Young. O fato do programa ser um recurso que mascara a realidade não deve ser problema para um povo que reelege Collor, Sarney e Maluf.

Para J.R. Borrachan, fotógrafo consagrado da Playboy, foi um dos maiores desafios de sua carreira. A maior parte das fotos foi feita de longe; o mais difícil, disse Borrachan, foi captar todo o ego da escritora com uma simples máquina fotográfica.

Há alguns anos, Fernanda disse ser muito prejudicada em seu trabalho por sua beleza. "Se eu não fosse bonita, as pessoas comprariam mais meus livros". A nossa produção está tentando entrar em contato com a escritora para perguntar se poderíamos dizer o mesmo em relação a Playboy. Ainda não obtivemos resposta.

Não deixe de perder:

Após ensaio, Fernanda vai privilegiar "O Pau"

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Xis Seminário Internacional da Comunicação


Está aberto na FAMECOS (Faculdade de Comunicação da PUCR$) desde ontem, dia 3 de novembro, o X (décimo, pra quem não sabe Latim) Seminário Internacional da Comunicação. A Jornada é uma iniciativa do Centre de l'Étude sur l'Actuel e le Quotidien (já pra quem não sabe Francês, isso significa... alguma coisa do cotidiano).

O evento se estende até amanhã, quinta-feira, e os participantes já não agüentam mais.

Embora o nome tenha essa pompa toda, nenhum estudante de Comunicação da FABICO ficou sabendo do acontecimento. É bem verdade, isso pode ter se dado devido à histórica rixa entre Fabicanos e Famequianos – também conhecidos respectivamente como "Maconheiros" e "Maconheiros". A rivalidade histórica é alimentada pelos últimos, que acusam os oriundos da FABICO de supervalorizar coisas desnecessárias na Comunicação de hoje, como o raciocínio.

Entre os participantes, estão: Andre Lemos (UFBA) – Armindo Bião (UFBA) – Federico Casalegno (MIT/EUA) – Jean-Martin Rabot (Universidade do Minho) – João Maia (UERJ) – Martine Xiberras (Montpellier III) – Michel Maffesoli (Sorbonne Paris V) – Moisés Martins (Universidade do Minho) – Muniz Sodré (UFRJ) – Patrick Tacussel (Montpellier III) – Patrick Watier (Universidade Estrasburgo) – Pierre Le Quéau (Grenoble) – Stéphane Hugon (CEAQ/Paris).

É verdade, alguns nomes de destaque, algumas universidades de renome, mas pouca divulgação. Um problema comum na área da Comunicação, aliás, é a falta de comunicação. E ninguém mais se preocupa em achar isso irônico.

Um dos maiores entusiastas e coordenador do Seminário é o brilhante Juremir Machado da Silva, professor da PUCR$, cuja maior aspiração em vida é ser o capacho do Diogo Mainardi. Ele trilha esse objetivo a passos largos ao cunhar frases como "Chico Buarque é o Felipe Dylon das quarentonas", que causou muita repercussão. Após show em Paris, Chico comentou a declaração:

– Juremir quem? – disse o maior compositor popular brasileiro de todos os tempos.

O Seminário Internacional de Comunicação contou até agora com quinze visitantes, contando Juremir Machado.

Ver mais:
Confronto entre militantes da FABICO e da FAMECOS deixa 8 vítimas fatais

Chico Buarque afirma: "você não gosta de mim, mas sua filha gosta"